Ballet

 

“Deixem-nos primeiro ensinar as crianças a respirar,

a vibrar, a sentir e a tornarem-se unas

com a harmonia e o movimento da natureza.

Deixem-nos primeiro produzir um ser humano bonito,

“uma criança dançante”.”

Isadora Duncan (Royal Academy of Dancing, traduzido)

 

Segundo a Royal Academy of Dance (RAD), nos primeiros anos de vida, a aprendizagem encontra-se intrinsecamente relacionada com o movimento. As crianças adoram mover-se, o que não só as permite aprender, isto é, adquirir conhecimentos acerca de si próprias, dos outros e do mundo que as rodeia, como também as ensina a usar o próprio corpo e a desenvolver habilidades motoras. Consequentemente, estas descobertas potenciam a sua auto-confiança, a sua auto-estima e as capacidades de comunicar e de se expressar.

Tendo como base estas premissas do desenvolvimento humano e como objetivo potenciá-lo, o Ballet trabalha o movimento aliado à criatividade, à expressividade, à musicalidade e, posteriormente, à técnica Clássica, com o intuito de que os alunos se movimentem de forma segura e eficiente, desenvolvendo a sua propriocepção (o (re)conhecimento e consciência do seu corpo) e a sua performance artística. Nas aulas, com o decorrer do ano letivo e ao transitar de nível, os alunos traçam um percurso evolutivo, no qual experimentam progressões de movimentos e aperfeiçoam a sua técnica. Aplicam-se ferramentas no sentido de os enriquecer estética, cultural e artísticamente.

É de importância crucial, então, que os exercícios efectuados sejam adequados à idade e grau de desenvolvimento das crianças/jovens, embora seja igualmente importante atentar nas particularidades de cada uma delas, para um acompanhamento personalizado das mesmas.

A Academia acredita, ainda, que a Dança Clássica contribui para o desenvolvimento das competências e atitudes necessárias para a prática de exercício físico no futuro, o que acarreta benefícios de ordem social.

Em suma, nas aulas desta disciplina, para além de se trabalhar uma enorme variedade de competências motoras e propriocetivas, tais como a estabilidade, o controlo, a coordenação, a flexibilidade, a agilidade, a postura e a técnica corretas para a Dança, introduzem-se e envolvem-se os alunos no “Mundo do Ballet”, apresentando-lhes e explorando, com eles, princípios, normas, particularidades e curiosidades inerentes a esta arte e que lhe concede a sua identidade, na tenativa de que a mesma seja também parte integrante da identidade do aluno, que se espera que seja um bailarino completo e, sobretudo, feliz.

Posto isto, embora se admita que a existência de método e disciplina é imprescindível e incontornável, para que os aspectos supracitados constituam uma realidade, os alunos são incentivados a assumir uma postura activa nas aulas, a comunicar ideias e emoções (verbalmente e através da dança), a envolverem-se no seu processo de aprendizagem e a comprometerem-se com os seus resultados. As atividades propostas são exequíveis mas desafiantes, os comportamentos adequados são reforçados, as dificuldades são geridas e os sucessos festejados.

Nos graus pré-escolares, por exemplo, grande parte das aulas baseia-se em temáticas, tais como “Um dia na praia”, “O quarto dos brinquedos”, “Viagem ao espaço”, entre outras, não só para cativar a atenção das crianças e as motivar, mas também para que exista um fio condutor dos exercícios realizados do princípio ao fim da aula, o que facilitará a sua compreensão e memorização, bem como o envolvimento de todos. Não obstante, já se transmitem as regras de comportamento a cumprir e introduz-se, de forma progressiva, alguma gíria do Ballet.